
Emoções poderosas
Por Dr. Leonardo Posternak*
Crianças desde bem pequenas sofrem com estresse. A rotina e os problemas familiares como a separação dos pais ou o nascimento de um irmão podem provocar as chamadas doenças psicossomáticas.
Mudança dos hábitos familiares, morte de um parente próximo, estresse, cobranças, problemas financeiros, mexem profundamente com as emoções. As alterações no cotidiano que, a princípio, fazem parte apenas do mundo dos adultos, também interferem no universo infantil.
Desde o momento em que nascem até a velhice, as pessoas podem sofrer as conseqüências de não conseguir resolver bem determinados sentimentos. Como não conseguem extravasá-los ou expressá-los de maneira adequada, o corpo responde mal com dores abdominais, vômitos, entre outros sintomas.
Médico e família aliados
A origem da doença é emocional. É o organismo da criança "gritando" para mostrar à família que algo não está bem. O casal se separou? Não é difícil que o filhote comece a ter bronquite, insônia, gastrite ou problemas de alimentação. Depois de fazer vários exames, o resultado comprova: não existe nenhum foco de infecção que justifique os sintomas.
Realmente, as doenças psicossomáticas não são descobertas por meio de testes laboratoriais. É preciso uma conversa profunda e detalhada com a família para saber o que está ocorrendo no âmbito doméstico. Ajude o médico no diagnóstico! As crianças são muito sensíveis e reagem a qualquer mudança na rotina. Qualquer alteração pode desencadear uma doença: o nascimento do irmão, a perda de emprego dos pais, o início da fase escolar.
As doenças de fundo emocional são o resultado da soma da estruturação da vida psicoemocional, pré-disposição biológica e influência familiar. Irmãos gêmeos, por exemplo, comportam-se de formas diferentes ante a um mesmo fato. Um deles vai ficar mais sensibilizado com relação à ausência do pai, por exemplo, que o outro. Isso provoca uma queda da resistência do corpo e abre espaço para o ataque de alguma bactéria. Então, a criança adoece.
Carinho acima de tudo
Conheci o caso de uma paciente de 4 anos de idade que, durante um ano, apresentou tosse. Os pais consultaram vários especialistas mas nenhum deles conseguiu encontrar a origem do problema.
Doze meses depois o diagnóstico correto apareceu: era uma forma da menina chamar a atenção dos pais. Por motivos profissionais, os dois estavam muito ausentes e a criança sentia a falta deles. Com uma boa conversa e a mudança da rotina a garotinha melhorou.
Mesmo que seu filho não tenha idade suficiente para dialogar, demonstre que realmente gosta dele. Dedique todo o tempo disponível a brincadeiras, muito carinho e colo. O gesto é o melhor remédio e a cura mais rápida para essas doenças.
* O dr. Leonardo Posternak é médico pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein. Co-autor do livro E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos, Editora Best Seller. Autor de O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança, Editora Globo.
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