sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Tradições de Natal




As tradições envolvidas na comemoração do natal são muito antigas e foram se renovando no decorrer dos séculos. Durante esse tempo algumas culturas acabaram marcando suas festividades natalinas com aspectos regionais. Conheça algumas das tradições natalinas ao redor do mundo:

Tradições de natal na Suécia

Nos países escandinavos o natal tem seu início em 13 de Dezembro, data em que se comemora o dia de Santa Luzia. Nas festividades desse dia existem tradições natalinas muito peculiares como uma procissão em que as pessoas carregam tochas acesas. De resto, as tradições de natal suecas são muito parecidas com as do resto do ocidente.

Tradições de natal na Finlândia

Na Finlândia há a estranha tradição natalina de freqüentar saunas na véspera de natal. Outra tradição natalina na Finlândia é visitar cemitérios para homenagear os entes falecidos.

Tradições de natal na Rússia

Na Rússia o natal é comemorado no dia 7 de janeiro,13 dias depois do natal ocidental. Uma curiosidade é que, durante o regime comunista, as árvores de natal foram banidas da Rússia e substituídas por árvores de ano novo. Segundo a tradição natalina dos russos, a ceia deve ter muito mel, grãos e frutas, mas nenhuma carne.

Tradições de natal no Japão

No Japão, onde só 1% da população é cristã, o natal ganhou força graças à influência americana, depois da segunda guerra. Por questões econômicas, os japoneses foram receptivos com algumas tradições, como a ceia de natal, o pinheirinho e os presentes de natal.

Tradições de natal na Austrália

Na Austrália o natal é usado para lembrar as raízes britânicas do país. Tal como na Inglaterra, a ceia de natal inclui o tradicional peru e os presentes de natal são dados na manhã do dia 25. Uma curiosidade: devido ao calor alguns australianos comemoram o natal na praia.

Tradições de natal no Iraque

Para os poucos cristãos residentes no Iraque a principal tradição natalina é uma leitura da bíblia feita em família. Há também o “toque da paz”, que segundo a tradição natalina do Iraque, é uma benção que as pessoas recebem de um padre.

Tradições de natal na África do Sul

O natal na África do Sul acontece durante o verão, quando as temperaturas podem passar dos 30 graus. Devido ao calor, a ceia de natal acontece em uma mesa colocada no jardim ou no quintal. Tal como na maioria dos países, tradições como árvores de natal e presentes de natal são quase obrigatórias.

Tradições de natal na Inglaterra

Na Inglaterra as tradições natalinas são levadas muito à sério. Não é à toa, já que o país comemora o natal há mais de 1000 anos. Presentes de natal, pinheirinhos decorados e músicas natalinas são mais comuns na Inglaterra que em qualquer outro país do mundo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Happy Halloween!


A equipe da Challenges Kids deseja a todos os seus alunos um ótimo Halloween!

A Importância de Dizer Não





A mãe de duas crianças pequenas fez, outro dia, um comentário bem interessante. Ao contar a aventura que é tomar conta de dois filhos menores de seis anos e educá-los, a bem-humorada mulher disse que conseguiria levar a cabo sua árdua tarefa sem a maioria dos recursos que tem, com exceção de dois: as grades de proteção das janelas de seu apartamento e as travas das portas traseiras do carro. Considerei muito perspicaz a maneira como ela condensou nesses dois elementos de segurança a idéia de proteção que tem dominado a relação entre pais e filhos.

Já sabemos que os pais têm tentado proteger os filhos – e isso começa logo na primeira infância – desse mundo que eles julgam perigoso e violento. E, nessa em que os filhos devem estar sempre sob a tutela dos pais ou de outros adultos, são consideradas perigosas as características dos ambientes que as crianças freqüentam. Basta dar uma olhada nas escolas de educação infantil para constatar o grau que esse zelo atingiu. Ausência de escadas e de obstáculos, cantos arredondados, chão almofadado e areia tratada são algumas características que os pais gostam de encontrar.

Os cuidados com as crianças pequenas são fundamentais. Entretanto, eles têm sentido duplo: além de proteger, tem também objetivo de ensinar que elas devem começar a se proteger. O auto cuidado, tão necessário na adolescência, precisa ser ensinado desde os primeiros anos. Mas, nesse afã de evitar incidentes, os adultos têm se esquecido desse detalhe tão importante. É que, ao andar, correr e brincar em ambientes tão limpos de pequenos riscos, a criança apreende que ela mesma não precisa se cuidar e que o mundo é livre de qualquer ameaça. Assim, em vez de perceber que precisa se desviar de um canto de mesa, por exemplo, ela corre em linha reta considerando exclusivamente o seu objetivo.

Mas há uma outra questão, ainda mais contundente, embutida na fala da jovem mãe. A trava no carro, evita que a criança tente abrir a porta com o veículo em movimento, e as grades de proteção nas janelas e sacadas, que impedem que a criança, acidental ou intencionalmente, se debruce e corra sérios riscos, apontam para a fragilidade das negativas que os adultos colocam à criança.

Por que os pais dependem desses artefatos de segurança para garantir a integridade das crianças? Porque não acreditam que o “não” seja respeitado pelos filhos. E por que isso ocorre? Vejamos o funcionamento da trava do carro. A criança curiosa certamente irá tentar abrir a porta mexendo no mecanismo. Ao se defrontar com o não-funcionamento, ela poderá tentar mais algumas vezes, mas irá desistir por um único motivo: porque aprende que ali não há alternativa.

E quando são os pais que dizem ao filho que ele não deve mexer em determinado objeto? Frente à insistência das crianças, os pais desistem de impedir que elas façam o que, inicialmente, ouviram que não deveriam fazer. Ao contrário das travas das portas dos carros, os pais não funcionam até que a criança entenda que não haverá alternativa possível.

Os pais não se dão conta de que, ao revelar comportamento da criança de fazer algo que foi proibido pelo menos temporariamente, é a palavra “não” que perde seu valor. E isso é sério na formação da criança. Por esse motivo é que os pais realmente precisam de artefatos de segurança.

Não se trata, de modo nenhum, de prescindir desses dispositivos, e sim de revisar as condutas tomadas com os filhos. São poucas as situações que merecem um “não” categórico dos pais. Nesses casos, a negativa precisa ser honrada. E isso cabe aos pais.

Rosely Sayão – Publicado no SOS Família da Folha de São Paulo

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Agressividade na infância: até que ponto é normal?


Fragilidade e insegurança. Esses são os dois principais motivos que ocasionam comportamentos agressivos por parte das crianças, podendo resultar em ferimentos nela própria e em outras pessoas. Situações como o nascimento de um novo bebê na família, separação dos pais ou então a perda de algum parente próximo contribuem para a mudança repentina na maneira de agir do filho.

"As crianças são totalmente emocionais e pouco racionais. Por não saberem lidar com alguns sentimentos, podem expressá-las por meio de atos agressivos", explica a especialista em psicologia clínica para crianças e adolescentes, Keila Gonçalves.

Sabe-se, no entanto, que a agressividade não é um traço de personalidade. Se seu filho está agressivo, certamente ele está sendo influenciado pelo cotidiano familiar e, em menor escala, por fatores externos, como a televisão, amizades, entre outros.

Segundo Keila Gonçalves, os pais devem ficar preocupados quando as atitudes perturbadoras se tornam prolongadas. "Algumas vezes, as crianças apresentam uma agressividade não apenas transitória, mas permanente, ou seja, parecem estar sempre provocando situações de briga. Este é o momento de entrar em ação".

Observar muito bem cada atitude e manter o diálogo são os primeiros passos para descobrir a causa o problema. Muitas vezes, o pequeno da família pode estar vivendo situações de conflito, seja em casa ou na escola, que o faça desempenhar algum tipo de papel, agredindo e deixando-se agredir, como conseqüência desta dinâmica em que pode estar inserido.

O comportamento hostil geralmente se origina por inúmeras razões: dificuldade de relacionamento com outras crianças; algum tipo de abuso ou humilhação por parte dos adultos; pais que evitam dizer “não” quando necessário (podendo transformar em uma criança possessiva) ou excesso de cobrança.

Nesses casos, a criança precisa de ajuda, mais do que de punição. Torna-se urgente assisti-la, por meio de muita observação e diálogo, para que se possa interromper esse ciclo de violência. É recomendada a ajuda de um especialista, que orientará os pais sobre a maneira correta de proceder.

Outra medida importante é a relação de cumplicidade entre a família e a escola. Saber sobre o comportamento do seu filho fora de casa e informar a educadora sobre os problemas percebidos podem ser fundamentais. "Muitas vezes, há uma melhora sensível quando a criança percebe que seus pais enxergaram o problema", revela a psicóloga. Como se percebe, o afeto é o caminho mais tranqüilo e menos doloroso para arrancar a tensão de dentro do seu querido. Basta saber usá-lo.

http://guiadobebe.uol.com.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Crianças bilíngües têm organização cerebral diferente

Em casa, ninguém fala espanhol, francês nem mandarim. Só a pequena Ana Tereza, de 11 anos, que também já foi alfabetizada em português e inglês. “Difícil, mãe? Mas por que você acha difícil?”, pergunta, na simplicidade da infância. A educação bilíngüe e o aprendizado de outros idiomas ainda no início da vida não deixam as crianças confusas, como já se acreditou nos anos 60 e 70. Muito pelo contrário: quando o ensino acontece com naturalidade e respeito ao tempo da criança, é possível até encontrar casos raros, como o de Ana Tereza.

“E foi ela mesma que pediu para fazer mandarim. Achei isso o máximo”, diz Carla Gorga, mãe da garota-diplomata. “Ela tem a mente muito aberta, deve ter ouvido falar da China e pediu para estudar essa língua desde o ano passado.”

Apesar do aumento na demanda por escolas bilíngües, o preço ainda restringe os louros do poliglotismo às famílias classe A ou AA. Um colégio do gênero, que atua em período integral, custa pelo menos R$ 1.500, em São Paulo – bem salgado.

E não há como comparar essas despesas com o investimento em uma escola convencional somada ao curso de idiomas feito à parte. Seria como igualar futebol de salão ao de campo: o objetivo é o mesmo, fazer o gol. No entanto, as habilidades são muito diferentes.

“Existe sim uma diferença na organização cerebral de quem é bilíngüe desde pequenininho (antes dos três anos), e de quem aprendeu a segunda língua depois dos 10 anos”, confirma Elizabeth Flory, psicóloga e pesquisadora do IP (Instituto de Psicologia).

No primeiro dos casos citados, a região do cérebro ativada é a mesma para qualquer um deles. Já no caso de pessoas que se tornaram bilíngües só depois de já alfabetizadas na língua pátria, os hemisférios cerebrais sensibilizados são diferentes.

“Crianças que convivem com o bilingüismo desde cedo podem adquirir as duas línguas como se fossem a primeira, a materna”, explica Elizabeth.

Segundo a pesquisadora, é comum, por exemplo, haver a mistura de palavras e formas de concordância nas primeiras frases faladas durante a infância. Porém, isso não significa que as crianças estão confusas ou tiveram algum problema no aprendizado.

“No começo, eu fiquei um pouco preocupada e ansiosa”, lembra Soraya Gomiero, psicóloga e mãe de uma bilíngüe. Ela e o marido decidiram pela educação bilíngüe, pois interpretaram que o aprendizado seria mais natural. Depois de oito anos passados desde a matrícula, estão satisfeitos com o resultado da filha Stephanie. “Foi um super ganho, saiu melhor que o esperado”, conta Soraya.

O mecanismo que ajuda os pequenos poliglotas a se ajustarem é chamado entre os neurologistas de code switch , ou câmbio de código. Através do processo inconsciente, as crianças ajustam não só as palavras dentro das regras de um idioma, mas também as regulam de acordo com o interlocutor. Ou seja, falam a língua de quem as está ouvindo.

“Às vezes eles conversam em inglês entre si. Acontece no automático, nem percebem”, conta a médica Aracy Sakashita, mãe de duas crianças bilíngües. “Eu não tenho fluência, então comigo, é só português.”

“É comum que os pais não falem inglês ou espanhol em casa. Mas está tudo bem, porque as crianças com mente bilíngüe distinguem conteúdo e contexto desde muito cedo”, atesta Lyle Gordon French, coordenador pedagógico de uma escola do gênero. “Na escola eu falo egg , em casa eu falo ovo. É assim”, completa o canadense.

Na idade adulta, o code switch não deixa de acompanhar o indivíduo. O câmbio é utilizado quando se pula para o outro idioma, no meio da frase, buscando uma expressão específica. Ou em outras situações: quando se deseja incluir ou excluir uma pessoa na conversa, falar reservadamente, ou demonstrar interesse pela pessoa, falando na língua que mais convém ao amigo.

“A troca de língua tem vários significados e não precisa ser negativo”, retoma a psicopedagoga Elisabeth Flory. “Só que os pais devem respeitar os contextos. Às vezes, faz sentido falar a segunda língua na escola, onde as outras crianças e professores também falam. E pode não fazer sentido falar em casa, sozinha. Os pais acabam preocupados, mas nem sempre é preciso. Quando se fala em desenvolvimento infantil tudo é muito variável.”

Mais em http://www.usp.br/espacoaberto/0comportamento.htm

sexta-feira, 31 de agosto de 2007


A integração dos diferentes

Por Lucy Casolari*


Seu filho chega da escola chorando por ter sido excluído de uma brincadeira. Questionado sobre o incidente, aparece a marcação cerrada contra os gordinhos, sardentos...



Situações desse tipo causam preocupação e mágoa aos pais que, se obedecerem ao seu primeiro impulso, tendem a dar broncas nos companheiros dos filhos, tomar satisfações na escola ou, pior ainda, com os outros pais. Dentro do espaço escolar, eventos desse tipo ocorrem com freqüência, pois é o local de encontro de crianças vindas de diversas famílias, cada uma com suas peculiaridades físicas, emocionais, raciais, étnicas, etc., enfim, o espaço da socialização.

As queixas do filho sobre suas dificuldades de integração trazem para os pais uma carga pesada, mescla de sentimentos contraditórios de revolta contra aqueles que o discriminam e culpa pelas possíveis razões dessa exclusão. Por trás disso há o desejo de proteger a criança de sofrimentos e, ao mesmo, a expectativa de que seu caminho seja somente de flores, sem nenhum espinho...

Como lidar com as dificuldades

É bom lembrar que as crianças são implacáveis, terríveis para descobrir o ponto fraco dos outros e atacá-lo, sem dó nem piedade. Se alcançam sucesso, então é um prato cheio! Esse lado cruel, que deve ser trabalhado na infância, explica certas atitudes tais como: os apelidos pejorativos - baleia, quatro-olhos, ferrugem, varapau, girafa... - e as piadinhas maldosas a partir das diferenças raciais e étnicas. Quando os pais colocam o filho, alvo dessas gozações, na condição de coitadinho, fica ainda mais difícil para ele se defender construtivamente e se integrar ao grupo.

A superproteção da família traz, embutida em si, a falta de confiança na sua capacidade. Assim, é fundamental que a criança seja apoiada pelos pais, por um lado, mas incentivada, também, a lidar com a situação. Isso não significa que se espere que consiga resolver tudo sozinha, ao contrário, sua ajuda será necessária para que ela possa dominar a raiva e enfrentar a agressividade dos colegas, evitando que tudo isso se transforme em um fardo pesado demais.

Colocar toda a responsabilidade pelas dificuldades de seu filho nos outros - colegas inconvenientes, inabilidade da professora ou da escola - não resolve a questão, que é delicada e, com certeza, causa angústia e sofrimento. Procure enxergar com objetividade - claro, a maior possível dentro desse contexto - e apóie seu filho para fortalecer a auto-estima. Muitas vezes essas maldades dos outros atingem a família porque expõem algo que também a incomoda, ou que não é aceito como parte intrínseca de sua criança. Pode ser, por exemplo, o caso da mãe "saradíssima" que não consegue transformar a filha gordinha em uma menina dinâmica e esportista...

Em nossa sociedade convivemos com padrões estéticos e estereótipos, verdadeiras "fôrmas" nas quais deveríamos nos encaixar a todo custo, a qualquer preço! E aí... quem não obedece a esse figurino sofre discriminação. A questão da aparência toma, muitas vezes, uma proporção descabida em detrimento dos valores, pois as pessoas são avaliadas por seu aspecto exterior e pelos bens que possuem. Fique atento, inclusive, se você mesmo, até sem perceber, não está passando mensagens com duplo sentido ao analisar as outras pessoas por padrões distorcidos. Afinal, quem não tem algum preconceito?

Na escola se aprende a conviver

Ao se dar conta de que seu filho está passando por dificuldades de integração é importante que você entre em contato com a escola para dimensionar corretamente a extensão do problema. Os profissionais poderão lhe dar dicas sobre o que acontece de fato e sobre a maneira como lidam com as atitudes de preconceito que surgem na relação entre as crianças e grupos.

É importante verificar qual é posicionamento da escola a esse respeito, pois à instituição cabe administrar e interferir nessas dinâmicas e promover o desenvolvimento da tolerância. Ao receber os mais diferentes alunos, conta com a riqueza da diversidade, há de tudo: altos e baixinhos, gordos e magros, os aplicados e os nem tanto, os ases do futebol e os que não querem chegar perto da bola e, ainda, os que usam a roupa de grife do momento e os que não a têm... Além disso, convivem os diversos sotaques de norte a sul, as diferentes raças e etnias, e, se a escola não for confessional, pode-se ter várias religiões.

Trata-se, portanto, de um espaço privilegiado para ensinar a conviver. Para isso a escola precisa, em primeiro lugar, reconhecer a existência de conflitos entre as crianças ou grupos. A partir daí é desejável e esperado que ocorram as intervenções, se estabeleçam limites claros para garantir espaço para todos, sem discriminação. É assim que se ensina convivência e tolerância - na prática - e não com discursos moralizantes.

Quanto mais cedo melhor

Se seu filho está tendo dificuldades de integração por se sentir amedrontado ou sofrendo pressão de algum grupo ou colega, procure a ajuda da escola. Quanto antes essas questões forem identificadas e resolvidas melhor, pois crianças são menos preconceituosas que adolescentes. É na infância, portanto, que esse trabalho deve ser iniciado, mas de modo algum, embora bem mais difícil, pode ser interrompido na fase posterior.

A postura da escola é fundamental para que não se cristalizem visões equivocadas que podem dar origem a grupos fechados e poderosos, responsáveis pela exclusão e rejeição dos chamados "diferentes" a partir dos motivos mais banais, trazendo ainda a explosão da violência dentro do espaço escolar.

Se a família estiver atenta e tiver confiança na filosofia da escola e na atuação de seus profissionais é provável que a integração do seu filho ao grupo, embora mais complicada, acabe sendo satisfatória. Entretanto, se você sentir que, apesar dessa parceria, os resultados não tenham sido alcançados, procure buscar a orientação de um especialista que poderá, ao analisar o caso com maior profundidade, encontrar pistas e traçar diretrizes para ajudar seu filho e toda a família.


*Lucy Casolari é pedagoga e educadora

quinta-feira, 9 de agosto de 2007


Emoções poderosas

Por Dr. Leonardo Posternak*


Crianças desde bem pequenas sofrem com estresse. A rotina e os problemas familiares como a separação dos pais ou o nascimento de um irmão podem provocar as chamadas doenças psicossomáticas.

Mudança dos hábitos familiares, morte de um parente próximo, estresse, cobranças, problemas financeiros, mexem profundamente com as emoções. As alterações no cotidiano que, a princípio, fazem parte apenas do mundo dos adultos, também interferem no universo infantil.

Desde o momento em que nascem até a velhice, as pessoas podem sofrer as conseqüências de não conseguir resolver bem determinados sentimentos. Como não conseguem extravasá-los ou expressá-los de maneira adequada, o corpo responde mal com dores abdominais, vômitos, entre outros sintomas.

Médico e família aliados

A origem da doença é emocional. É o organismo da criança "gritando" para mostrar à família que algo não está bem. O casal se separou? Não é difícil que o filhote comece a ter bronquite, insônia, gastrite ou problemas de alimentação. Depois de fazer vários exames, o resultado comprova: não existe nenhum foco de infecção que justifique os sintomas.

Realmente, as doenças psicossomáticas não são descobertas por meio de testes laboratoriais. É preciso uma conversa profunda e detalhada com a família para saber o que está ocorrendo no âmbito doméstico. Ajude o médico no diagnóstico! As crianças são muito sensíveis e reagem a qualquer mudança na rotina. Qualquer alteração pode desencadear uma doença: o nascimento do irmão, a perda de emprego dos pais, o início da fase escolar.

As doenças de fundo emocional são o resultado da soma da estruturação da vida psicoemocional, pré-disposição biológica e influência familiar. Irmãos gêmeos, por exemplo, comportam-se de formas diferentes ante a um mesmo fato. Um deles vai ficar mais sensibilizado com relação à ausência do pai, por exemplo, que o outro. Isso provoca uma queda da resistência do corpo e abre espaço para o ataque de alguma bactéria. Então, a criança adoece.

Carinho acima de tudo

Conheci o caso de uma paciente de 4 anos de idade que, durante um ano, apresentou tosse. Os pais consultaram vários especialistas mas nenhum deles conseguiu encontrar a origem do problema.

Doze meses depois o diagnóstico correto apareceu: era uma forma da menina chamar a atenção dos pais. Por motivos profissionais, os dois estavam muito ausentes e a criança sentia a falta deles. Com uma boa conversa e a mudança da rotina a garotinha melhorou.

Mesmo que seu filho não tenha idade suficiente para dialogar, demonstre que realmente gosta dele. Dedique todo o tempo disponível a brincadeiras, muito carinho e colo. O gesto é o melhor remédio e a cura mais rápida para essas doenças.


* O dr. Leonardo Posternak é médico pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein. Co-autor do livro E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos, Editora Best Seller. Autor de O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança, Editora Globo.